quinta-feira, 24 de junho de 2010

COMO ANDAM AS ESCOLAS NO SÉCULO XXI?

MINHA VISÃO DE ESCOLA - Por Adalberto Pereira

Minha primeira professora foi minha própria mãe, D. Eudócia. Minha primeira escola foi minha própria casa. Lá mesmo na sala de jantar. O lugar onde eu recebia a alimentação física, era o mesmo onde recebia a alimentação cultural, sempre obediente à metodologia própria de D. Eudócia. Ao lado, como testemunha de tudo, estava a sempre presente «Margarida». Não era uma vizinha, uma amiga da professora, ou uma inspetora federal! Tratava-se de uma palmatória preta, cujo lugar era especialmente reservado a ela. Qualquer vacilo, lá estava ela entrando em ação, «sem dó, nem piedade!».
Foi um ano de preparação. Depois é que fui conhecer minha primeira professora propriamente dita: D. Maroca. O nome pode até parecer estranho, mas a professora era «osso duro de roer». Mas o bom em tudo isso é que eu já cheguei lá sabendo muita coisa. Assim, tornei-me o melhor da escola e muito concorrido para tirar as dúvidas dos colegas menos estudiosos.
Era o velho tempo dos «argumentos», uma espécie de «tira-teima», ou sabatina, como queiram. Isso acontecia às sextas-feiras. As perguntas eram escolhidas e feitas pela professora. Quem errasse a resposta, podia preparar as mãos para receber os «bolos», cujo ingrediente principal era a palmatória. Era a época em que se aprendia de verdade, sem a preocupação da intervenção dos Direitos Humanos e dos Conselhos Tutelares. O pai que achasse ruim, tinha apenas uma opção: levar o filhinho pra casa e cuidar dele.
Os anos passaram e lá fomos nós morar em Campina Grande. Era o ano de 1950. Foi lá que conheci uma nova escola, bem mais rígida que a de d. Maroca. Era a famosa e badalada «Escola de d. Adelma», na Rua Arrojado Lisboa. A professora Guiomar, filha da proprietária, apesar de linda, era durona, ao ponto de não fazer diferença entre os mais e os menos estudiosos. Todos eram iguais e, caso merecessem, castigo neles!
Dois anos depois, já estava pronto para enfrentar uma grande escola. E lá fui eu para o Colégio Alfredo Dantas. De lá, fui para o Colégio Estadual da Prata, o mais famoso da cidade, mesmo sendo público. Quem estudasse alí, estava pronto para qualquer vestibular, em qualquer parte do país. Era a época em que a escola pública tinha respaldo moral.
Nesta nossa longa trajetória, chegamos ao ano de 1969, na cidade de Patos, sertão da Paraíba. Lá estou eu no Colégio Estadual Pedro Aleixo, mais conhecido como CEPA, para lá levado pelo meu vizinho e amigo Miguel Otaviano, funcionário dos Correios e Telégrafos. Entre trancos e barrancos, concluí os primeiro e segundo graus. Ainda estamos no tempo em que a educação é algo extraordinário.
Aquela era a época do primário, ginásio científico e clássico. Lembro que no curso ginasial nós tínhamos como matérias reprovativas : Português, Inglês, Francês, Latim, Matemática, Geografia, História da América, História do Brasil, Desenho, Educação Moral e Cívica e Trabalhos Manuais. A média era 7 e o caboclo tinha que estudar mesmo. Reprovado no ano letivo, havia a chamada Segunda Época, quando o aluno enfrentava, além do professor da matéria, o Inspetor Federal, que alí estava para fiscalizar as provas, que eram feitas oralmente.
Das escolas públicas saiam alunos para se submeterem a vestibulares de Medicina e/ou Engenharia na Universidade Federal de Pernambuco, em Recife. E eram eles os primeiros colocados. Permitam-me dizer que não havia concurso para professores. Estes eram escolhidos pela competência em suas respectivas áreas de atuação. Também, graças a Deus, não tínhamos os SINPROs para fazerem politicagem, colocando os professores como escudos. Os professores, por sua vez, eram mais conscientes de sua responsabilidade. Quem não ensinasse bem, era automaticamente substituído.
Os anos passaram! Os políticos, autênticos desconhecedores das necessidades de professores e alunos, resolveram mudar o caminho do progresso cultural brasileiro: promoveram uma Reforma no nosso Sistema Educacional, blindados pelo Estatuto do Menor e do Adolescente, pelos Conselhos Tutelares, pelos Direitos Humanos e pelo Ministério Público. Foi um verdadeiro desastre. Todos os direitos foram transferidos para menores delinquentes que, cobertos pela « lei ». vendem e consomem drogas nas escolas, agridem verbal e fisicamente os professores, destroem o patrimônio público e pixam as paredes com palavrões.
As escolas de hoje, principalmente as públicas, vivem num caos profundo. Os professores tremem e se curvam diante da insegurança e, em contrapartida, os Sindicatos, criados para defenderem os interesses dos docentes, limitam-se a realizarem politicagem, transformando-se em comitês eleitoreiros. Assistem a tudo calados, como se nada de anormal estivesse acontecendo. Esperam ansiosos qualquer oportunidade para lançar os professores contra o Governo, se este não pertencer à sigla do partido dos SINPROs (não precisa ser muito inteligente para saber qual é).
É lamentável como os professores, pessoas inteligentes e cultas, deixam-se levar pela emoção dos gritos estéricos dos porta-vozes dos Sindicatos. Certa vez, quando eu ensinava no CEM 201, da cidade de Santa Maria, no Distrito Federal, fomos surpreendidos com a presença de um representante do SINPRO-DF que, depois de pedir licença aos professores que coordenavam naquele momento, falou: «Estou aqui, em nome do SINPRO, para agradecer a vocês os votos que deram ao nosso candidato Geraldo Magela!». Lamento não ter anotado o nome daquele mau caráter para citá-lo aqui. Este é o SINPRO, que se diz «preocupado» com o futuro do professor!
Diferente da escola do passado, a atual é uma arapuca, onde os professores entram atemorizados e saem aliviados, por se encontrarem distantes, muito distantes mesmo dos perigos contra sua integridade física e moral. Tem professor que, ao sair do colégio, respiram e murmuram: «GRAÇAS A DEUS! CONSEGUI SAIR ILESO!».
LEMBRANDO: Em Brasília, a capital da República, um professor de História foi espancado, chutado e pisoteado covardemente por um ex-aluno e um amigo deste. Entrevistado, o professor Valério dos Santos, a vítima, disse: “Quanto mais violência, quanto mais sangue, maior é o estado de êxtase nas escolas”. E prosseguiu o professor: “Será que vale a pena eu continuar nessa profissão? A vontade que eu tenho é não mais pisar naquela escola e em nenhuma escola mais!”. Mas o que mais chamou a minha atenção foi o desabafo do professor Valério, colocando em evidência uma realidade que muitos desconhecem, inclusive os Sindicatos, que deveriam primar pela segurança dos professores. “Eu não quero mais lidar com um público que não quer crescer, que não quer estudar!”.
Somente no ano de 2007, foram registradas no Distrito Federal duzentas (200) ocorrências policiais contra professores nas escolas públicas. Uma aluna de 13 anos de idade disparou três tiros para amedrontar uma professora. O fato ocorreu no interior de uma escola pública em Brasília. Em seu depoimento, a professora repetiu as palavras da aluna agressora: “Eu vim aqui para matar um!”.
Na minha época, esses bandidos covardes e até protegidos pela Justiça, seriam expulsos e presos. E sabem por quê ? Simplesmente porque o professor era valorizado e não existiam Sindicatos irresponsáveis e repletos de politiqueiros baratos. E vocês acham que tudo isso é pouco?!?! Que nada!!! Veja o que disse a professora Rosilene Corrêa, Diretora do Sindicato dos Professores do Distrito Federal: “Eu dou aula com as janelas fechadas, porque eu tenho medo de alguma bala ou que um aluno jogue alguma coisa dentro da sala!”. É o professor sendo prisioneiro em seu próprio ambiente de trabalho. E vejam quem foi a vítima agora!
Em São Paulo, as coisas não são diferentes. Um professor que não quis ser identificado, temendo as represálias dos alunos, “inocentes e intocáveis adolescentes”, fez o seguinte desabafo: “Criou-se agora a proibição ‘não fume nas escolas’. Vá você falar! Eles jogam fumaça na sua cara! O que está acontecendo é um desânimo geral dos professores!”.
RECORDANDO: Em Cacoal, Rondônia, alunos criaram uma “Comunidade” na Internet e prometeram furar os pneus do carro de um professor. Ameaçaram ainda colocar açúcar no tanque e quebrar todos os vidros do veículo. O professor de Matemática, Juliomar Penna, diante do fato afirmou: “Me senti um zero à esquerda. Me senti um nada!”.
Mas o mais revoltante foi a desculpa do pai de uma das participantes em defesa da filha rebelde: “Quando o fato ocorreu há dois anos atrás, a minha menina tinha 13 anos de idade. Foi um ato inconseqüente, mas não com o propósito de denigrir o professor!”. O desabafo do professor não coincide com o pensamento do senhor Cícero Bordoni da Silva, pai da menininha “inocente”. Mas a escola não se omitiu diante do fato. Um ano e meio depois demitiu o professor. Justificativa: “Não precisamos mais dos seus serviços!”. Brincadeira??? Não!!! Foi verdade mesmo!
Os professores, por sua vez, não podem reclamar, pois têm em sua defesa os autênticos psicólogos que, na tentativa de estimular os docentes, afirmam com a maior convicção: “O PROFESSOR PRECISA APRENDER A CONVIVER COM AS DIFERENÇAS!”. Ou seja, eles querem dizer que os professores precisam aprender a apanhar dos alunos sem reagir; precisam conviver com a bandidagem nas escolas, sem esboçar nenhuma reação.
Um professor de Matemática, amigo meu do CEM 201, não agüentou mais a indisciplina de um dos alunos e resolveu levar o caso ao conhecimento do Diretor. Este convocou a mãe do “delinqüente” e os professores, suas principais vítimas, inclusive eu. No final, o Diretor entregou àquela mãe um documento transferindo o aluno para outra escola. Ou seja, tirou um problema de uma escola e jogou a “batata quente” nas mãos de outra. É assim que as coisas funcionam.
Aí vocês devem estar dizendo: Que maravilha!!! Assim é que se faz!!! Puro engano! Dias depois, por ordem do Ministério Público e do Conselho Tutelar, o dito elemento retornou à escola de origem. Ironicamente, chegou à porta da sala de aula, olhou para o professor, fez um sorriso nojento e disse: “Voltei, professor!!!”. Impotente, o professor pediu transferência para outra escola. São estes os ajudadores daqueles que se esforçaram para chegarem onde estão, mas que acabaram nas mãos de malandros, irresponsáveis, verdadeiros “trombadinhas”. Estou dizendo aqui, o que fui proibido de dizer nas escolas, para não CONSTRANGER os intocáveis.
O grande problema na educação do nosso país é que as leis são feitas ou mudadas, sem a participação das partes interessadas. O importante é mostrar ao mundo, através de estatísticas utópicas, que somos um povo alfabetizado, que crianças, adolescentes, jovens e adultos estão nas escolas. Na verdade, estamos é analfabetizando o nosso povo. Quanto mais analfabeto for o nosso povo, quanto mais pobre e dependente, melhor para o governo enganá-lo com BOLSA FAMÍLIA, RENDA MINHA e outros tipos de esmolas, que se transformam em votos para dar mais ênfase à ganância pelo Poder.

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